quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Sobre os próximos quatro anos... leia aqui
sábado, 21 de agosto de 2010
“Caríssimo! Beijos disseminados. Essas brigas no Congresso me trazem à lembrança um dos meus primeiros maridos, que era senador da República. A república eu sei que era o Brasil, mas o resto ficou meio vago. Não lembro o nome do partido e, pensando bem, nem o nome do marido, de quem só guardei o número da conta bancária, pelo valor afetivo. Quando ele foi acusado por outro senador de ser ladrão, chegou em casa e trancou-se no gabinete para preparar sua resposta. Azeitou e carregou a Réplica, que era como ele chamava sua 38 de cano longo, fiel aos seus princípios políticos segundo os quais “retórica de macho é tiro”. No dia seguinte foi com a Réplica ao Senado, pediu a palavra e atirou cinco vezes no seu acusador, matando cinco ao seu redor. O outro respondeu aos tiros com sua 45 e matou mais três, inclusive meu marido. Felizmente a conta era conjunta. Em seguida, o presidente do Senado pôs ordem na sessão, atirando para o alto e, com a briga encerrada, pôde conduzir os trabalhos a contento, depois de retirados os corpos. É preciso lembrar que o Senado então ficava no Rio e quase sempre havia quorum, mesmo com as baixas. Hoje, os congressistas se agridem verbalmente e trocam insinuações e ironias em vez de tiros. Quer dizer, não existe mais romantismo, para não falar em argumentos convincentes. Da tua saudosa Dorinha.”
Luis Fernando Veríssimo
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Dorinha
“Caríssimo: beijíssimos! Sim, minha campanha está nas ruas, seguida, por enquanto, apenas pelos cachorros. Nas pesquisas estou empatada com não sabem ou não quiseram opinar. Mas as pesquisas são falhas: ignoram um grande segmento da população, formado por todos os meus ex-maridos. (No momento, por sinal, estou livre como um táxi, e só aceitando corridas curtas.) Contratei um marqueteiro para orientar minha campa$mas o despedi depois que ele sugeriu que eu me apresentasse com os netos, para ganhar o voto coisa mais fofa. Eu sempre disse que os netos são como as rugas para mostrar a idade, com a diferença que para as rugas tem cremes. Vou cuidar da minha própria imagem na TV, expondo meu ideário político e econômico (por exemplo: sempre achei que não há nada de mal com a concentração de renda se for feita com bom gosto) e os meus seios. Quero ver o Serra fazer o mesmo! Aliás, me ofereci para ser a vice na chapa do Serra mas recusaram, com a absurda alegação de que eu ofuscaria o candidato nos palanques. Só um poste não ofuscaria o Serra, mas o Marco Maciel não aceitou. Dizem que o Serra falando em comício é tão chato que o público aplaude microfonia! Enfã, estou na luta e espero o seu voto. Da tua Dorinha.”
Luis Fernando Veríssimo
domingo, 6 de junho de 2010
sábado, 10 de outubro de 2009
domingo, 2 de agosto de 2009
Depois da lista de files se gue uma de livros
002 - A Crítica da Razão Pura - Immanuel Kant
003 - A Dama do Lago - Sir Walter Scott
004 - A Divina Comédia - Dante Alighieri
005 - A Eneida -Virgílio
006 - A Ética Nichomaqueana - Aristóteles
007 - A Ilha do Tesouro - Robert L. Stevenson
008 - A Ilíada - Homero
009 - A Importância de Ser Sincero - Oscar Wilde
010 - A Máquina do Tempo - H. G. Wells
011 - A Megera Domada - William Shakspeare
012 - A Odisséia - Homero
013 - A Origem das Espécies - Charles Darwin
014 - A Poesia do Velho Marinheiro - Samuel Coleridge
015 - A República - Platão
016 - A Riqueza das Nações - Adam Smith
017 - A Tempestade - William Shakspeare
018 - A Tragédia de Fausto - J. W von Goethe
019 - Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley
020 - Anna Karenina - Leon Tolstoi
021 - As Aventuras de Tom Sawyer - Mark Twain
022 - As Viagens de Gulliver - Jonathan Swift
023 - As viagens de Marco Polo - Marco Pólo
024 - As Vinhas da Ira - John Steinbeck
025 - Autoconfiança - Ralph Waldo Emerson
026 - Babbitt - Sinclair Lewis
027 - Beowulf - Unknown
028 - Camille (A Dama das Camélias) - Alexandre Dumas Fils
029 - Candide - Voltaire030 - Carmen - Prosper Merimee
031 - Como Pensamos - John Dewey
032 - Crime e Castigo - Feodor Dostoyevsky
033 - Cyrano de Bergerac - Edmond Rostand
034 - David Copperfield - Charles Dickens
035 - De ratos e de homens - John Steinbeck
036 - Don Quixote de la Mancha - Cervantes
037 - Drácula - Bram Stoker
038 - Édipo Rei - Sófocles
039 - Feira da Vaidade - William M. Thackeray
040 - Frankenstein - Mary Shelley
041 - Grandes Expectativas - Charles Dickens
042 - Guerra e Paz - Leon Tolstoi
043 - Hamlet - William Shakspeare
044 - Huckleberry Finn - Mark Twain
045 - Idílios do Rei - Alfred L. Tennyson
046 - IIvanhoé - Sir Walter Scott
047 - Jane Eyre - Charlotte Bronte
048 - Longe da Turba Enlouquecida - Thomas Hardy
049 - Macbeth - William Shakespeare
050 - Madame Bovary - Gustave Flaubert
051 - Meditações - Rene Descartes
052 - Middlemarch - George Eliot
053 - Moby Dick - Herman Melville
054 - Moll Flanders - Daniel Defoe
055 - Morte de um Caixeiro Viajante - Arthur Miller
056 - Natureza - Ralph Waldo Emerson
057 - Nossa cidade - Thornton Wilder
058 - O Caminho de Toda a Carne - Samuel Butler
059 - O Capital - Karl Marx
060 - O Chamado Selvagem - Jack London
061 - O Contrato Social - Jean Jacques Rousseau
062 - O Declínio do Oeste - Oswald Spengler
063 - O Emblema Vermelho da Coragem - Stephen Crane
064 - O Falcão Maltês - Dashiell Hammett
065 - O Giro do Parafuso - Henry James
066 - O Grande Gatsby - F. Scott Fitzgerald
067 - O Médico e o Monstro - Robert Louis Stevenson
068 - O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Bronte
069 - O mundo Como Vontade e Idéia - Arthur Schopenhauer
070 - O Paraíso Perdido - John Milton
071 - O Pomar de Cerejas - Anton Chekhov
072 - O Príncipe - Machiavelli
073 - O Príncipe e o Pobre - Mark Twain
074 - O Progresso do Pilgrim - John Bunyan
075 - O Retorno do Nativo - Thomas Hardy
076 - O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde
077 - O Retrato de uma Dama - Henry James
078 - O Retrato do Artista Quando Jovem - James Joyce
079 - O Último dos Moicanos - James F. Cooper
080 - O Velho e o Mar - Ernest Hemingway
081 - O Vermelho e o Negro - Stendahl
082 - Orgulho e Preconceito - Jane Austen
083 - Os Contos de Canterbury - Geoffrey Chauce
084 - Os Irmãos Karamazov - Feodor Dostoyevsky
085 - Os Livros da Selva - Rudiard Kipling
086 - Os Miseráveis -Victor Hugo
087 - Os Três Mosqueteiros - Alexandre Dumas
088 - Othello - William Shakspeare
089 - Pais e Filhos - Ivan Turgenev
090 - Para Matar um Mockingbird - Harper Lee
091 - Peer Gynt - Henrik Ibsen
092 - Pequenas Mulheres - Louisa May Alcott
093 - Por quem os sinos dobram - Ernest Hemingway
094 - Prometeu Acorrentado - Aeschylus
095 - Robinson Crusoe - Daniel Defoe
096 - Silas Marner - George Eliot
097 - Tartuffe - Moliere
098 - Tess of the D'Urbervilles - Thomas Hardy
099 - Tom Jones - Henry Fielding
100 - Um Conto de Duas Cidades - Charles Dickens
101 - Um Yankee na Corte do Rei Arthur - Mark Twain
102 - Uma Casa de Bonecas - Henrik Ibsen
103 - Uma Tragédia Americana - Theodore Dreiser
104 - Vinte Mil Léguas Submarinas - Jules Verne
105 - Walden - Henry David Thoreau
sábado, 3 de janeiro de 2009
A revista francesa Cahiers du Cinéma, considerada a mais importante publicação de crítica de cinema do mundo, lança este mês um livro com os 100 filmes que não podem faltar em uma cinemateca ideal. Para isso, consultou 76 cineastas, historiadores e críticos da França.
A lista não deixa de ser respeitável, mas vem sendo criticada pelo classicismo (há apenas três longas dos últimos 20 anos, Van Gogh, Fale com Ela e Cidade dos Sonhos). De qualquer forma, 100 Films pour une Cinémathèque Idéale é um guia recomendadíssimo para quem está tomando contato com os clássicos.
Confira os 100 escolhidos:
- Cidadão Kane (1941) - Orson Welles
- O Mensageiro do Diabo (1955) - Charles Laughton
- A Regra do Jogo (1939) - Jean Renoir
- Aurora (1927) - Friedrich Wilhelm Murnau
- O Atalante (1934) - Jean Vigo
- M, o Vampiro de Dusseldorf (1931) - Fritz Lang
- Cantando na Chuva (1952) - Stanley Donen & Gene Kelly
- Um Corpo que Cai (1958) - Alfred Hitchcock
- O Boulevard do Crime (1945) - Marcel Carné
- Rastro de Ódio (1956) - John Ford
- Ouro e Maldição (1924) - Erich von Stroheim
- Rio Bravo - Onde Começa o Inferno (1959) - Howard Hawks
- Ser ou Não Ser (1942) - Ernst Lubitsch
- Era uma Vez em Tóquio (1953) - Yasujiro Ozu
- O Desprezo (1963) - Jean-Luc Godard
- Contos da Lua Vaga (1953) - Kenji Mizoguchi
- Luzes da Cidade (1931) - Charlie Chaplin
- A General (1927) - Buster Keaton
- Nosferatu (1922) - Friedrich Wilhelm Murnau
- A Sala de Música (1958) - Satyajit Ray
- Monstros (1932) - Tod Browning
- Johnny Guitar (1954) - Nicholas Ray
- A Mãe e a Puta (1973) - Jean Eustache
- O Grande Ditador (1940) - Charlie Chaplin
- O Leopardo (1963) - Luchino Visconti
- Hiroshima, Meu Amor (1959) - Alain Resnais
- A Caixa de Pandora (1929) - Georg Wilhelm Pabst
- Intriga Internacional (1959) - Alfred Hitchcock
- O Batedor de Carteiras (1959) - Robert Bresson
- Amores de Apache (1952) - Jacques Becker
- A Condessa Descalça (1954) - Joseph Mankiewicz
- O Tesouro do Barba Rubra (1955) - Fritz Lang
- Desejos Proibidos (1953) - Max Ophüls
- O Prazer (1952) - Max Ophüls
- O Franco Atirador (1978) - Michael Cimino
- A Aventura (1960) - Michelangelo Antonioni
- O Encouraçado Potemkin (1925) - Sergei M. Eisenstein
- Interlúdio (1946) - Alfred Hitchcock
- Ivan, o Terrível (1944) - Sergei M. Eisenstein
- O Poderoso Chefão (1972) - Francis Ford Coppola
- A Marca da Maldade (1958) - Orson Welles
- Vento e Areia (1928) - Victor Sjöström
- 2001: Uma Odisséia no Espaço (1968) - Stanley Kubrick
- Fanny e Alexander (1982) - Ingmar Bergman
- A Turba (1928) - King Vidor
- 8 1/2 (1963) - Federico Fellini
- Sel Sol (1962) - Chris Marker
- O Demônio das Onze Horas (1965) - Jean-Luc Godard
- O Romance de um Trapaceiro (1936) - Sacha Guitry
- Amarcord (1973) - Federico Fellini
- A Bela e a Fera (1946) - Jean Cocteau
- Quanto mais Quente Melhor (1959) - Billy Wilder
- Deus Sabe quanto Amei (1958) - Vincente Minnelli
- Gertrud (1964) - Carl Theodor Dreyer
- King Kong (1933) - Ernst Shoedsack & Merian J. Cooper
- Laura (1944) - Otto Preminger
- Os Sete Samurais (1954) - Akira Kurosawa
- Os Incompreendidos (1959) - François Truffaut
- A Doce Vida (1960) - Federico Fellini
- Os Vivos e os Mortos (1987) - John Huston
- Ladrão de Alcova (1932) - Ernst Lubitsch
- A Felicidade não se Compra (1946) - Frank Capra
- Monsieur Verdoux (1947) - Charlie Chaplin
- O Martírio de Joana d'Arc (1928) - Carl Theodor Dreyer
- Acossado (1960) - Jean-Luc Godard
- Apocalypse Now (1979) - Francis Ford Coppola
- Barry Lyndon (1975) - Stanley Kubrick
- A Grande Ilusão (1937) - Jean Renoir
- Intolerância (1916) - David Wark Griffith
- Partie de Campagne (1936) - Jean Renoir
- Playtime (1967) - Jacques Tati
- Roma, Cidade Aberta (1945) - Roberto Rossellini
- Sedução da Carne (1954) - Luchino Visconti
- Tempos Modernos (1936) - Charlie Chaplin
- Van Gogh (1991) - Maurice Pialat
- Tarde Demais para Esquecer (1957) - Leo McCarey
- Andrei Rublev - O Artista Maldito (1969) - Andrei Tarkovsky
- A Imperatriz Galante (1934) - Joseph von Sternberg
- Intendente Sansho (1954) - Kenji Mizoguchi
- Fale com Ela (2002) - Pedro Almodóvar
- Um Convidado bem Trapalhão (1968) - Blake Edwards
- Tabu (1930) - Friedrich Wilhelm Murnau
- A Roda da Fortuna (1953) - Vincente Minnelli
- Nasce uma Estrela (1954) - George Cukor
- As Férias do Sr. Hulot (1953) - Jacques Tati
- A Terra do Sonho Distante (1963) - Elia Kazan
- O Alucinado (1953) - Luis Buñuel
- A Morte num Beijo (1955) - Robert Aldrich
- Era uma Vez na América (1984) - Sergio Leone
- Trágico Amanhecer (1939) - Marcel Carné
- Carta de uma Desconhecida (1948) - Max Ophüls
- Lola, a Flor Proibida (1961) - Jacques Demy
- Manhattan (1979) - Woody Allen
- Cidade dos Sonhos (2001) - David Lynch
- Minha Noite com Ela (1969) - Eric Rohmer
- Noite e Neblina (1955) - Alain Resnais
- Em Busca do Ouro (1925) - Charlie Chaplin
- Scarface - A Vergonha de uma Nação (1932) - Howard Hawks
- Ladrões de Bicicletas (1948) - Vittorio de Sica
- Napoleão (1927) - Abel Gance
Eu procurei assistir a alguns destes filmes e para isso utilizei a maior cinemateca ao meu alcance no momento (agradecimentos ao tio Álvaro e seus mais de 500 títulos até agora).
Posso dizer que me surpreendi com alguns deles, notadamente os de Chaplin. Primeiro por serem dos mais antigos da lista (um deles, inclusive, é mais velho que minha querida avó! Um beijo pra "Dona Zinha"). Segundo porque são mais divertidos do que eu esperava, além do estímulo à imaginação que o filme mudo proporciona.
Enfim, a lista pode não ser uma unanimidade mas seu valor é inquestionável, além de ser excelente para quem quiser aproveitar bons momentos sob os cobertores nos dias frios e chuvosos.
sábado, 27 de dezembro de 2008
O Buffet
Compartilho um texto do Luiz Fernando Veríssimo, que quase me matou de tanto rir.
O buffet
Um dos martírios da vida social moderna é o buffet. Ele nasceu com boas intenções, como resposta à necessidade de alimentar da maneira mais prática o maior número de pessoas com o máximo de elegância possível. Isto é, sem que a festa pareça um rififi no refeitório. È difícil servir 300 ou 400 pessoas nas suas mesas e ao mesmo tempo, à francesa, a não ser que haja quase tantos garçons quanto convidados. A solução, já que a comida não pode ir às pessoas, é as pessoas irem à comida. Outra vantagem do buffet é que, com todos os pratos concentrados sobre uma única e bem ornamentada mesa, ele dá a correta impressão de abundância. Que é, afinal, o que nos leva a festas. Todo buffet é uma alegoria à fartura. Há cascatas de camarões, leitões esquartejados e remontados sobre pedestais de farofa, everestes de maionese, continentes de saladas e de frios. Uma vez, juro, vi um faisão empalhado no centro da mesa, na pose de quem se preparava para decolar deste insensato mundo. Só o que o mantinha na terra era a sua própria carne, em fatias, a seus pés. Diante de um buffet você deve se debater entre dois sentimentos: a vontade de comer tudo e o remorso em estragar a arquitetura. Depois, é claro, de agradecer à providência por pertencer aos 30% da população que comem e à minoria ainda menor que é convidada a buffets. Pois o buffet também é a apoteose da boca-livre.
. Os críticos mais moderados do buffet o comparam a uma linha de montagem, e fazem uma injustiça. A linha de montagem é mais organizada. Ao redor de uma mesa de buffet o ser humano reverte ao seu protótipo mais primitivo: a fera diante do alimento. A pátina de civilização se quebra, como o exterior caramelado do presunto, e é cada um por si e pelo seu estômago. Já vi velhos amigos duelarem a empurrões diante de um rosbife, e marido e mulher chegarem aos tapas na disputa do último camarão. Porque a verdade é que o buffet não dá certo. Ele pressupõe um desprendimento em relação à comida que ninguém tem. Embora alguns finjam que tem.
- Vou esperar que os selvagens se sirvam e depois vou até lá - diz ele, sorrindo com desprezo para a horda em volta da mesa.
- Eu, se fosse você, não esperava. O bolo de peixe já estava pela metade - avisa alguém.
- Epa - diz ele, e mergulha no meio da horda, usando os cotovelos para abrir caminho.
Mas o buffet é irreversível e o negócio é aprender a conviver com ele. Existem algumas regras de conduta que nos ajudam a sair de um buffet, mesmo o mais concorrido, razoavelmente bem alimentados e sem danos, fora alguns rasgões na roupa. Aprendi com a experiência e tenho as marcas de garfo na mão para provar. Tome nota.
Antes de mais nada, não obedeça ordens. É comum o anfitrião sugerir, bem-humorado, alguma espécie de hierarquia no acesso ao buffet. Primeiro as mesas deste lado ou daquele, primeiro os mais velhos, as autoridades, os mutilados de guerra etc. Ignore-o. Seja o primeiro a saltar da mesa, mesmo fora de ordem. O máximo que pode acontecer é você receber olhares feios. O que importa isso diante de uma cascata de camarões ainda intocada e da oportunidade de escolher os melhores tomates? Nunca desmereça as vantagens de chegar primeiro.
Estude o terreno - O planejamento é importantíssimo. Ao entrar na festa, examine cuidadosamente o buffet. Resista a tentação de começar a botar camarões no bolso. Isso é apenas um reconhecimento.
Decore a localização dos pratos mais importantes.
Geralmente, há 17 tipos diferentes de salada de batata. Concentre-se numa para não perder tempo depois.
Faça uma anotação mental do melhor acesso à lagosta, se houver. Lembre-se que dois ou três pedaços de lagosta valem uma travessa de peito de peru em qualquer mercado de valores do mundo. Decida-se por uma estratégia de ataque. Se preciso, estude uma ação diversionista. Na hora de avançar, dirija-se resolutamente para os embutidos e, à última hora, desvie rapidamente para a lagosta, confundindo o inimigo.
Macetes - Com o tempo, você os desenvolverá sozinho. Cada um tem seu estilo. Alguns lembretes, no entanto. Se possível, sirva-se com dois pratos, com o pretexto de que está servindo a sua mulherzinha, ou seu maridinho, também. Se você realmente está com sua mulher ou seu marido, melhor. Ela ou ele pode fazer o mesmo e dizer que está servindo você. O trabalho em equipe é importante desde que se combine previamente quem ficará com todos os camarões. Atenção: jamais use a colherzinha que está junto ao pote para servir o caviar se houver uma colher de sopa à mão.
Seja impiedoso - Está bem, ninguém quer ser imoral, mas estamos falando de comida! Se a pessoa à sua frente não se mexe e impede seu acesso aos mexilhões, que desaparecem rapidamente, use o cabo do garfo discretamente entre a última e a penúltima costela. Se não der certo, use a ponta do garfo. Espalhe o boato de que o leitão no centro é de plástico e só está ali como enfeite. Finja que vai verificar e apalpe todo o leitão com as mãos. Diga coisas como: "Ninguém se mova, acho que caiu uma mosca na vitela tonê". Pegue todo o prato, dando a entender que vai despejá-lo pela janela. Espirre, distraidamente, em cima dos cogumelos.
Use coação - Geralmente há um garçom servindo o prato quente. Provavelmente estrogonofe. É comum o garçom carregar no arroz para poupar o estrogonofe. Ao apresentar seu prato, encare-o e diga, com o olhar: "Eu conheço a sua laia, patife. Se me sonegar o estrogonofe, enfiarei a sua cabeça no molho vinagrete até que você morra". Despeça-se dele dando a entender que voltará em breve e ai dele se disser qualquer coisa como "você por aqui de novo?" No caso de você e outro convidado espetarem o último pedaço de matambre ao mesmo tempo, sorria enquanto lhe aplica um pontapé. É incrível o que se consegue com um sorriso.
Você conseguiu e já está saboreando o prato quente enquanto outros, menos empreendedores, ainda nem chegaram perto dos tomates. Não se desmobilize, no entanto. Lembre-se de que ainda falta a batalha dos doces.







